A Revolta da Vacina foi uma
revolta popular ocorrida na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 10 e 16 de
novembro de 1904. Ocorreram vários conflitos urbanos violentos entre populares
e forças do governo (policiais e militares). A principal causa foi à campanha
de vacinação obrigatória contra a varíola, realizada pelo governo brasileiro e
comandada pelo médico sanitarista Dr. Oswaldo Cruz. A grande maioria da
população, formada por pessoas pobres e desinformada, não conheciam o
funcionamento de uma vacina e seus efeitos positivos. Logo, não queriam tomar a
vacina. O clima de descontentamento popular com outras medidas tomadas pelo
governo federal, que afetaram principalmente as pessoas mais pobres. Entre estas
medidas, podemos destacar a reforma urbana da cidade do Rio de Janeiro (então
capital do Brasil), que desalojou milhares de pessoas para que cortiços e
habitações populares fossem colocados abaixo para a construção de avenidas,
jardins e edifícios mais modernos.
As pessoas se negavam a receber
a visita dos agentes públicos que deviam aplicar a vacina, reagindo, muitas
vezes, com violência.
OBS:
- Prédios públicos e lojas foram atacados e
depredados;
- Trilhos foram retirados e bondes (principal
sistema de transporte da época) foram virados.
O governo e suas consequências
- O governo federal suspendeu temporariamente a
vacinação obrigatória.
- O governo federal decretou estado de sítio na
cidade (suspensão temporária de direitos e garantias constitucionais).
- Com força policial, a revolta foi controlada
com várias pessoas presas e deportadas para o estado do Acre. Houve também
cerca de 30 mortes e 100 feridos durante os conflitos entre populares e forças
do governo.
- Controlada a situação, a campanha de vacinação
obrigatória teve prosseguimento. Em pouco tempo, a epidemia de varíola foi
erradicada da cidade do Rio de Janeiro.
Oswaldo Cruz (1872-1917)
Oswaldo Cruz foi médico
sanitarista, bacteriologista e epidemiologista brasileiro. Com 19 anos,
publicou dois trabalhos sobre microbiologia. Depois de formado trabalhou no
Laboratório de bacteriologia da Cadeira de Higiene da Faculdade de Medicina.
Foi para Paris e ingressou no Instituto Pasteur. Depois de três anos volta ao
Brasil e é encarregado de combater o surto de peste bubônica que assolava o
porto de Santos. Foi indicado para Diretor Técnico e depois Diretor geral do
Instituto que recebeu o nome de Instituto Oswaldo Cruz. Debelou a peste
bubônica, a varíola e a febre amarela que assolavam o país.
Nasceu em São Luiz de Paraitinga, em
São Paulo, no dia 5 de agosto. Filho de Bento Gonçalves Cruz, médico carioca e
de Amélia Bulhões da Cruz. Estudou com a mãe e aos cinco anos já lia e
escrevia. Ingressou no Externato Dom Pedro II onde fez o preparatório para
Medicina. Iniciou a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1887, mostrou
logo grande interesse pelo laboratório e pelo microscópio. Em 1891 publicou
dois trabalhos sobre microbiologia. Em 1892 concluiu o curso.
Oswaldo
Gonçalves Cruz morre de insuficiência renal, no dia 11 de fevereiro de 1917, em
Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro.